Em São Paulo, artista mineira transforma rejeitos minerais em obras de arte



A partir de 25 de abril de 2026, sábado, a Casa de Metal Espaço Cultural, no Campo Belo, em São Paulo, apresenta a instalação “Geopoéticas da Matéria”, da artista mineira Ana Elisa Murta. A exposição parte de um princípio fundamental: transformar resíduos minerais — historicamente associados à extração e ao descarte — em linguagem artística. A ação é uma realização do Ministério da Cultura e do Instituto Cultural Quattro, responsável pela Casa de Metal, através da Lei de Incentivo à Cultura.

Ao utilizar esses materiais como base para suas tintas, a artista propõe uma mudança de perspectiva sobre o próprio uso da pintura. Em vez de um material neutro, a tinta passa a ser protagonista, evidenciando sua origem e seu processo de produção. As cores utilizadas nas obras são desenvolvidas a partir de minerais coletados e processados pela própria artista, convertendo resíduos em matéria-prima para a criação.

“A tinta costuma aparecer como algo neutro na pintura, quase invisível dentro do processo. No meu trabalho, ela ganha outra dimensão, porque vem de resíduos minerais que eu mesma coleto e transformo. Quando isso acontece, a cor deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a carregar uma origem, um percurso e uma materialidade que também fazem parte da obra”, afirma Ana Elisa Murta.


A pesquisa da artista teve início durante a pandemia, quando passou a desenvolver tintas próprias a partir de minerais, após enfrentar fortes reações alérgicas a insumos industriais. Em uma imersão em Minas Gerais, ela passou a coletar minerais do entorno e, de forma artesanal, começou a produzir tintas. O que começou como uma investigação prática rapidamente se expandiu e passou a integrar exposições no Brasil e no exterior, incluindo apresentações em Londres e Abu Dhabi, conectando diferentes territórios por meio do uso de pigmentos minerais e consolidando sua pesquisa no campo da arte contemporânea.

Da pintura ao objeto

Os pigmentos utilizados nas obras são produzidos a partir de minerais e apresentam características diferentes das tintas industriais. As superfícies revelam variações de textura, granulação, brilho e opacidade, resultado direto da composição dos materiais. Esse processo faz com que cada cor tenha um comportamento próprio, criando efeitos visuais menos uniformes e mais orgânicos.

Além das pinturas, a exposição apresenta blocos sólidos desenvolvidos a partir de rejeitos minerais. Utilizando uma metodologia própria, Ana Elisa Murta transforma esses materiais em estruturas compactas que transitam entre escultura e objeto, ampliando as possibilidades de uso dos resíduos dentro da linguagem artística.

“Esses blocos surgem da vontade de levar o material para além da superfície da pintura. Quando o rejeito ganha volume, ele passa a ocupar o espaço de outra forma e evidencia seu peso, sua densidade e sua origem. É uma maneira de mostrar que esse material pode assumir novos usos e significados”, afirma a artista.

Um contêiner, novos sentidos

Instalada em um contêiner industrial que integra de forma permanente o jardim da Casa de Metal, a obra ocupa um espaço dedicado a exposições e programações culturais, com foco em artistas independentes. No interior do contêiner, o público encontra as pinturas e os elementos desenvolvidos a partir de rejeitos minerais, organizados de forma a evidenciar texturas, superfícies e processos de transformação dos materiais. O espaço contribui para destacar a materialidade das obras e sua relação com a origem dos insumos utilizados.

A exposição conta com acessibilidade, com vídeo com interpretação em LIBRAS, além de disponibilizar visitas guiadas inclusivas, mediante agendamento.

Serviço
Exposição | Geopoéticas da Matéria
Local: Casa de Metal Espaço Cultural
Endereço: R. Antônio Comparato, 218 - Campo Belo, São Paulo, SP
Abertura: 25 de abril, às 14h
Visitação: de 28 de abril a 18 de dezembro de 2026, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Agendamentos: cris@casademetalcultural.com.br

Fonte: Bacuri Comunicação

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